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Revolta em Camaragibe-PE termina em aplausos: síndico é destituído após obra de R$ 2 milhões sem aval.

person Gabriele Fiel
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Em Camaragibe, na Região Metropolitana do Recife (PE), um episódio de forte tensão e mobilização coletiva entre moradores ganhou repercussão após a destituição do síndico de um grande condomínio residencial, acusado de conduzir uma obra superior a R$ 2 milhões sem autorização formal dos condôminos. O caso ocorreu no Residencial Engenho Camarás Viver e culminou em uma assembleia marcada por manifestações emocionadas, com gritos e aplausos celebrando o afastamento do gestor.

A decisão pela destituição foi tomada em assembleia realizada no dia 28 de fevereiro de 2026, quando moradores votaram pela retirada do síndico do cargo após meses de questionamentos relacionados à execução de uma obra considerada de alto custo. O empreendimento residencial possui grande porte, com cerca de 35 blocos e 560 apartamentos, o que ampliou o impacto financeiro das decisões administrativas tomadas ao longo da gestão.

O principal ponto de conflito foi o início de uma obra avaliada em mais de R$ 2 milhões, que previa serviços estruturais como pintura de fachada e correções de infiltrações. Segundo relatos de moradores, a execução do projeto teria ocorrido sem aprovação válida em assembleia geral, requisito essencial previsto na legislação condominial para intervenções desse porte. Condôminos afirmaram que a decisão teria sido incluída em ata de forma irregular, gerando desconfiança sobre a condução administrativa e financeira do condomínio.

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Outro fator que contribuiu para o aumento da insatisfação foi o impacto financeiro direto no bolso dos moradores. A taxa condominial mensal sofreu aumento significativo, passando de R$ 238 para R$ 408. O reajuste ocorreu em razão da cobrança de uma taxa extra parcelada em 52 meses, destinada ao pagamento da obra. Esse aumento expressivo gerou revolta entre moradores, que passaram a questionar a transparência dos processos e a legalidade das decisões tomadas pela administração.

Diante das suspeitas e da pressão crescente, uma assembleia foi convocada para esclarecimentos. No entanto, moradores relataram que o síndico não compareceu ao encontro, o que agravou ainda mais o clima de desconfiança e insatisfação. Durante a reunião, os condôminos deliberaram não apenas pela destituição do gestor, mas também pela paralisação imediata da obra e pela eleição de um novo síndico responsável por reorganizar a administração e revisar contratos e decisões anteriores.

O momento da votação foi registrado em vídeo e rapidamente se espalhou pelas redes sociais. As imagens mostram moradores comemorando com aplausos e gritos de celebração após o anúncio do resultado, demonstrando o nível de desgaste existente entre a gestão e os condôminos. O episódio ganhou repercussão justamente pela intensidade da reação coletiva, incomum em assembleias condominiais tradicionais.

Procurado para comentar o caso, o síndico contestou as acusações e afirmou que a obra havia sido discutida e aprovada em três assembleias distintas. Segundo sua versão, inicialmente foi autorizada a taxa extra necessária para custear os serviços, seguida pela aprovação da contratação da engenheira responsável e, posteriormente, da empresa executora. O gestor também questionou a legalidade da destituição, alegando que moradores inadimplentes teriam participado da votação e que haveria inconsistências na documentação da assembleia.

O episódio reforça um alerta recorrente no setor condominial: obras de grande porte exigem transparência absoluta, comunicação clara e registro formal adequado em ata, além do quórum exigido pela convenção e pela legislação. Especialistas destacam que falhas nesses procedimentos costumam resultar em conflitos administrativos, ações judiciais e prejuízos financeiros aos condôminos.

Além do impacto imediato na gestão do condomínio, o caso evidencia a crescente exigência por governança profissional em empreendimentos residenciais de grande porte. O episódio também demonstra o papel ativo dos moradores na fiscalização das decisões administrativas, reforçando a importância da participação coletiva e do controle sobre gastos que afetam diretamente o orçamento condominial.

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Fonte: G1

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Escrito por

Gabriele Fiel

Colunista do Portal SBM.

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