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Sem tela de proteção, criança cai do 10º andar e sobrevive de forma inexplicável

person Gabriele Fiel
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Um caso considerado “milagroso” chocou e comoveu moradores de Ribeirão Preto (SP) no fim de dezembro e voltou a repercutir nesta semana após a alta hospitalar do menino Brenno Fernandes Girdziauckas, de apenas 4 anos, que sobreviveu a uma queda do 10º andar de um prédio residencial no Centro da cidade.

De acordo com a família e com a equipe médica responsável, o acidente aconteceu no dia 27 de dezembro de 2025, por volta das 15h30, quando Brenno, que é autista não verbal, conseguiu acessar sozinho o banheiro do apartamento e acabou caindo pela janela, que não tinha tela ou grade de proteção.
A mãe, desesperada, ouviu o barulho e correu até o local, encontrando o filho caído no térreo, ainda consciente, após uma queda de aproximadamente 30 metros.

Equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) chegaram rapidamente e prestaram os primeiros socorros. Brenno apresentava múltiplas fraturas nas pernas, mas estava respirando e consciente — um quadro raríssimo diante da altura da queda.

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O menino foi levado ao Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, onde passou por uma bateria de exames e três cirurgias complexas para corrigir fraturas em ambos os fêmures e estabilizar o quadro.
De acordo com o ortopedista responsável, a sobrevivência do menino foi possível porque a queda foi parcialmente amortecida: ele bateu em uma janela de vidro de outro andar e em um corrimão antes de atingir o chão, o que reduziu o impacto direto.

O médico destacou que, embora tecnicamente possível, a recuperação de Brenno foi fora de qualquer padrão clínico.

“É um caso que a gente pode, sem medo, chamar de milagre. As lesões foram graves, mas compatíveis com a vida. Ele reagiu incrivelmente bem ao tratamento”, afirmou o especialista.

Durante os 22 dias de internação, Brenno passou por reabilitação motora e fisioterapia intensiva. A equipe médica relatou que o garoto apresentou resposta positiva e progressiva, surpreendendo até os profissionais mais experientes.
No dia 18 de janeiro de 2026, ele recebeu alta hospitalar, voltando para casa com acompanhamento médico e fisioterápico domiciliar.

Os médicos afirmam que, com o tratamento adequado, Brenno deverá recuperar os movimentos das pernas e voltar a andar normalmente. A família descreveu a recuperação como um milagre e um recomeço, destacando a importância de reforçar a segurança doméstica em janelas e sacadas, especialmente em apartamentos altos e com crianças pequenas.

Investigação e medidas preventivas

O caso foi registrado pela Polícia Civil como queda acidental. Não há indícios de negligência grave por parte dos responsáveis, mas o episódio acendeu o alerta sobre a falta de telas de proteção em prédios antigos.
Síndicos e administradores de condomínios da região já começaram a reavaliar protocolos de segurança e manutenção em apartamentos com famílias e crianças.

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A Associação de Condomínios do Interior Paulista (ACIP) reforçou, após o caso, que a instalação de telas de proteção é uma medida simples, barata e obrigatória em muitos municípios, mas que ainda depende da adesão dos condôminos.
O órgão recomendou que síndicos orientem moradores e vistoriem rotineiramente unidades com janelas baixas e áreas de risco.

Nas redes sociais, o caso repercutiu com milhares de comentários de solidariedade à família e agradecimentos à equipe médica. A história de Brenno foi tratada por muitos como um símbolo de esperança e um alerta para prevenção de acidentes domésticos em altura.

Especialistas em segurança predial ressaltam que acidentes com crianças em janelas e varandas são mais comuns do que se imagina, e que as telas de proteção devem ser instaladas mesmo em apartamentos com grades visuais, pois estas nem sempre suportam o peso de um corpo em queda.

O episódio une aspectos de segurança predial, responsabilidade civil e prevenção doméstica.
Para síndicos e gestores condominiais, reforça a urgência de programas de vistoria preventiva e de campanhas de conscientização sobre segurança infantil nos edifícios.
Também abre espaço para debates jurídicos sobre a responsabilidade compartilhada entre condômino e condomínio quando há ausência de itens de segurança recomendados.

 

Fonte: G1

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Escrito por

Gabriele Fiel

Colunista do Portal SBM.

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