Silêncio de dias: professora aposentada é achada morta em apartamento, no Centro de Ijuí.
A professora aposentada Soeli Konrad, de 68 anos, foi encontrada morta na manhã do último sábado (18) em seu apartamento no Edifício Planalto, na Rua Quinze de Novembro, região central de Ijuí, no noroeste do Rio Grande do Sul. A descoberta só ocorreu depois que vizinhos e o síndico do prédio perceberam que a moradora não era vista havia vários dias e acionaram as autoridades, um gesto de atenção que reacende o debate sobre o papel da gestão condominial na identificação precoce de riscos entre moradores que vivem sozinhos.
A ocorrência mobilizou equipes do Corpo de Bombeiros, da Brigada Militar, do SAMU, da Polícia Civil e do Instituto-Geral de Perícias (IGP). Como a porta do apartamento estava trancada por dentro, os bombeiros precisaram acessar o imóvel pela sacada da unidade vizinha. Lá dentro, Soeli foi encontrada já sem vida e em avançado estado de decomposição, o que levou os peritos a estimar que o óbito possa ter ocorrido cerca de uma semana antes da descoberta do corpo. Segundo o registro policial, não foram constatados indícios de violência no local, e a hipótese mais provável é a de morte natural. A Polícia Civil requisitou perícia no apartamento e necropsia pelo IGP, exames que devem confirmar oficialmente a causa da morte nos próximos dias.
Casos como o de Ijuí não são incomuns em condomínios verticais brasileiros, sobretudo em edifícios com concentração de moradores idosos que residem sozinhos. A ausência de um protocolo formal de verificação de bem-estar, prática recomendada por especialistas em gestão predial, costuma ser o que determina se um risco é identificado em horas ou, como neste caso, somente após dias de silêncio. O síndico e a portaria, quando existente, funcionam com frequência como primeiro filtro de segurança do condomínio, atuando não só na manutenção do patrimônio, mas também na observação de rotinas: correspondências acumuladas, ausência em áreas comuns ou falta de contato por período prolongado.
Para o mercado condominial, o episódio reforça a relevância de sistemas de portaria bem estruturados, de canais de comunicação ativos entre síndicos e moradores e da criação de protocolos internos de checagem para unidades habitadas por idosos ou pessoas que vivam sozinhas. Administradoras e conselhos fiscais têm incorporado, cada vez mais, esse tipo de diretriz em regimentos internos, sobretudo em cidades do interior, onde o vínculo entre vizinhos costuma ser mais próximo do que em grandes centros urbanos, fator que, em Ijuí, foi determinante para que a ausência da professora fosse notada.
Do ponto de vista jurídico, a responsabilidade do síndico nesse tipo de situação costuma se limitar ao dever de zelo e à comunicação às autoridades diante de indícios de anormalidade, sem configurar obrigação de monitoramento individual de cada morador. Ainda assim, condomínios que adotam rotinas preventivas, como contato periódico com idosos que vivem sós e cadastro atualizado de contatos de emergência, tendem a reduzir o tempo de resposta em ocorrências dessa natureza, o que pode ser decisivo tanto para preservar vidas quanto para evitar descobertas tardias como a registrada no Edifício Planalto.
O caso também expõe o desafio do envelhecimento populacional nos centros urbanos de médio porte do Rio Grande do Sul para a gestão condominial: garantir segurança e cuidado sem invadir a privacidade dos moradores. À medida que cresce a proporção de idosos morando sozinhos em apartamentos, cresce também a demanda por soluções de gestão predial que equilibrem discrição e prevenção, tema que deve seguir pautando debates entre síndicos e administradoras.
A perícia segue em andamento, e o resultado da necropsia deve esclarecer oficialmente as circunstâncias da morte de Soeli Konrad.
Fonte: Três Passos News