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Síndica de Campo Grande (MS) aposta em sorteios e consegue lotar assembleias antes ignoradas.

person Gabriele Fiel
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Em Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul, uma estratégia simples e criativa transformou a realidade de um condomínio que enfrentava um problema recorrente: a baixa participação dos moradores em reuniões e treinamentos obrigatórios. Diante do desinteresse generalizado, a síndica decidiu apostar em incentivos como cafés da manhã, lanches e sorteios de brindes, e o resultado foi um salto expressivo no engajamento dos condôminos.

O caso ocorreu em um condomínio residencial com centenas de apartamentos e mais de mil moradores cadastrados. Assim como em muitos empreendimentos do país, a baixa adesão às assembleias era vista como um obstáculo constante à gestão eficiente e à tomada de decisões coletivas. A situação se tornava ainda mais crítica quando o assunto envolvia obrigações legais, como treinamentos da brigada de incêndio e renovação de licenças junto ao Corpo de Bombeiros.

Antes da adoção das novas medidas, apenas uma pequena parcela dos moradores costumava comparecer às atividades. Em alguns encontros, o número de participantes mal passava de uma dezena de pessoas. A ausência de moradores comprometia a validade de decisões importantes e dificultava o cumprimento de exigências legais e operacionais do condomínio.

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Foi nesse cenário que a síndica decidiu implementar um modelo inspirado em práticas comuns no ambiente corporativo, voltadas ao reconhecimento e à valorização do tempo das pessoas. A estratégia passou a incluir a oferta de café da manhã ou lanche durante reuniões e treinamentos, além da realização de sorteios entre os participantes.

Os prêmios distribuídos variavam conforme o evento, incluindo desde o uso gratuito de áreas comuns, como salão de festas e churrasqueira, até vouchers de compras. Em muitos casos, esses vouchers eram adquiridos de moradores que atuavam como revendedores de produtos, criando um ciclo positivo de incentivo à economia interna e ao fortalecimento da comunidade.

Os resultados foram rápidos e visíveis. A participação, que antes era baixa, saltou para cerca de 80 pessoas em determinadas atividades, especialmente nos treinamentos ligados à segurança do condomínio. Esse aumento permitiu que o condomínio cumprisse exigências legais com maior facilidade e promovesse ações coletivas com mais eficiência.

Segundo a administração local, o objetivo nunca foi apenas atrair moradores com recompensas materiais, mas estimular um senso maior de pertencimento e responsabilidade coletiva. A lógica por trás da iniciativa é simples: quando os moradores percebem que sua presença é valorizada e que há um ambiente mais acolhedor, a tendência é que o engajamento aumente naturalmente.

Especialistas em gestão condominial apontam que a baixa participação em assembleias é um problema crônico no Brasil. Muitos moradores ainda encaram as reuniões como tarefas burocráticas ou desnecessárias, sem perceber que decisões tomadas nesses encontros impactam diretamente no valor do imóvel, na segurança e na qualidade de vida da coletividade.

A adoção de incentivos, quando bem planejada, pode ser uma ferramenta eficaz para reverter esse cenário. No entanto, gestores alertam que as ações devem ser transparentes, acessíveis a todos e alinhadas ao orçamento do condomínio, evitando gastos excessivos ou questionamentos sobre a destinação de recursos comuns.

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O caso de Campo Grande também evidencia uma tendência crescente na gestão predial: a busca por soluções criativas para estimular a participação comunitária. Além de sorteios e brindes, outras estratégias têm sido adotadas em diferentes regiões, como transmissões online de assembleias, enquetes digitais e campanhas educativas voltadas à conscientização dos moradores.

Para síndicos e administradores, o aprendizado principal é que a participação dos moradores não depende apenas de convocação formal, mas de engajamento emocional e social. Criar ambientes acolhedores, valorizar a presença e promover experiências positivas podem fazer toda a diferença na construção de uma comunidade mais ativa e colaborativa.

A experiência reforça que, em tempos de rotina acelerada e múltiplas responsabilidades, transformar reuniões em eventos mais atrativos pode ser o diferencial entre um condomínio com baixa participação e outro com moradores envolvidos e comprometidos com o coletivo.

 

Fonte: Campo Grande News 

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Escrito por

Gabriele Fiel

Colunista do Portal SBM.

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