Síndica é baleada e jogada em rio após ser acusada de delatar tráfico no CE
A Polícia Civil do Ceará prendeu no domingo, 18 de outubro de 2026, uma mulher de 43 anos e o filho dela, de 28, suspeitos de envolvimento na tentativa de homicídio contra a síndica de um condomínio popular em Pacajus, na Região Metropolitana de Fortaleza. O crime ocorreu em 20 de setembro. A vítima, de 54 anos, foi baleada, sobreviveu ao se fingir de morta e ainda foi jogada em um rio pelos criminosos. Segundo as investigações, a motivação foi a suspeita, sem fundamento, de que ela repassava à polícia informações sobre o tráfico de drogas no residencial. O Diário do Nordeste e O POVO identificam a vítima como síndica; o g1 Ceará a descreve como ex-síndica.
De acordo com o delegado Jaelan Alves, da Delegacia de Pacajus, os suspeitos foram até o apartamento da vítima e a renderam. "Eles foram e chamaram ela no apartamento. Levaram para fora do condomínio e atiraram", relatou o delegado ao O POVO. Conforme a apuração divulgada pelos veículos cearenses, a mulher foi levada para uma área nos fundos do conjunto habitacional, onde foi interrogada e teve o celular vasculhado em uma espécie de "tribunal do crime". Os suspeitos teriam feito uma chamada de vídeo com a mulher apontada como mandante antes dos disparos.
A vítima foi atingida e caiu. Os criminosos tentaram atirar de novo, mas a arma falhou. "Eles pensaram que ela estava morta", disse o delegado. O corpo foi lançado em um rio próximo, e o grupo fugiu. A mulher sobreviveu, foi socorrida e atendida em uma unidade de saúde de Pacajus e depois transferida para o Instituto Doutor José Frota (IJF), em Fortaleza. Só após a internação a Polícia Civil tomou conhecimento do caso. Ainda segundo o delegado, ela nunca atuou como informante da polícia.
Foram presos Meyriane da Silva Alves, de 43 anos, apontada como mandante, e o filho dela, Francisco Davi da Silva Bezerra, de 28, apontado como um dos executores. A captura ocorreu durante uma festa dentro do próprio condomínio, após trabalho de inteligência, com apoio do Núcleo Operacional do Departamento de Polícia Judiciária Metropolitana. Na audiência de custódia, em 19 de outubro, a Justiça manteve as prisões. Segundo o Diário do Nordeste, os investigados seriam ligados a uma facção criminosa. Um terceiro envolvido, adolescente, segue foragido. Os suspeitos ainda não foram julgados, e as acusações serão analisadas ao longo do processo.
O caso é um retrato extremo de uma realidade que preocupa quem administra condomínios em áreas sob influência do crime organizado. Em conjuntos habitacionais populares, o síndico costuma ser um morador voluntário, sem estrutura de segurança e convivendo diariamente com vizinhos de todo tipo. Qualquer contato com a polícia, uma reclamação formal ou mesmo um boato pode transformá-lo em alvo, ainda que, como neste caso, a suspeita seja infundada.
Para reduzir esse risco, algumas práticas fazem diferença. Denúncias sobre atividades criminosas devem ser feitas pelos canais anônimos das secretarias de segurança, e não em nome do condomínio ou em grupos de mensagens. Comunicados aos moradores precisam ser impessoais e assinados pela administração, nunca expondo quem relatou um problema. Em locais de alta vulnerabilidade, vale considerar a contratação de síndico profissional ou administradora externa, que não reside no local, além de buscar apoio de órgãos públicos responsáveis pela gestão dos conjuntos habitacionais.
A investigação da Polícia Civil continua para localizar o adolescente foragido e identificar outros possíveis participantes. Para o setor, o episódio reforça que a segurança de quem assume a gestão de um condomínio também precisa entrar na pauta das políticas públicas.
Fonte: G1