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Temporal no RS deixa quase 1 milhão sem luz e acende alerta para condomínios.

person Gabriele Fiel
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Rajadas de vento acima dos 100 km/h e chuva intensa atingiram o Rio Grande do Sul na madrugada desta segunda-feira, 21 de setembro de 2026, e deixaram um rastro de destelhamentos, quedas de árvores e postes, desabamento de estrutura em Pelotas e um apagão que chegou a alcançar 969,4 mil imóveis às 5h, somando os dados das concessionárias CEEE Equatorial e CPFL RGE. Em Porto Alegre, segundo a MetSul Meteorologia, a chuva e os vendavais começaram por volta das 3h, atingindo primeiro bairros da Zona Sul e avançando depois para as zonas Leste, Central e Norte.

O temporal já era esperado. Às 2h50, a Defesa Civil disparou alerta vermelho pelo sistema Cell Broadcast para moradores da Capital e da Região Metropolitana, com previsão de rajadas superiores a 90 km/h. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) manteve o estado em alerta vermelho, o nível máximo de sua escala, até as 23h59, com previsão de até 100 milímetros de chuva. A instabilidade foi provocada por um sistema de baixa pressão associado ao avanço de uma frente fria. Cerca de 20 municípios registraram ventos acima de 80 km/h, e em São Jerônimo e Rio Grande as rajadas passaram de 100 km/h. Novo Hamburgo, Canoas e Eldorado do Sul também contabilizaram estragos.

A CEEE Equatorial, que atende Porto Alegre e parte do estado, informou rajadas de até 115 km/h em sua área de concessão. A empresa tinha 588 mil clientes sem luz às 5h, número que caiu para 442,7 mil às 13h. A RGE, que abastece parte do interior, registrava 381,4 mil clientes sem energia no início da manhã e 189 mil no começo da tarde. Até a tarde de segunda, cerca de 623 mil consumidores seguiam sem fornecimento.

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Em Pelotas, onde o vento chegou a 89 km/h e choveu 42 milímetros, um prédio antigo desabou parcialmente na Rua Marcílio Dias, na altura da Rua Doutor Amarante. O imóvel estava vazio e já havia abrigado uma loja de departamentos; parte da estrutura caiu sobre uma construção vizinha. O balanço preliminar da prefeitura apontava feridos sem gravidade e mais de 200 chamados durante a madrugada. A falta de energia também deixou inoperantes as estações de tratamento de água do município. Em Caxias do Sul, a Defesa Civil estadual informou que quatro pessoas estavam desaparecidas após uma enxurrada arrastar um veículo no bairro Parada Cristal. No estado, um homem ficou gravemente ferido depois de subir em um telhado para fazer reparos durante o vendaval.

O episódio se soma a uma sequência de eventos severos em 2026. Em 7 de agosto, a passagem de um ciclone-bomba deixou 332 mil domicílios gaúchos sem luz, e no fim do mesmo mês novas tempestades provocaram duas mortes no estado.

Para os condomínios, o impacto vai além do incômodo. A queda de energia paralisa elevadores, bombas de recalque, portões automáticos, interfones e câmeras de segurança, e o caso de Pelotas mostra que a falta de luz pode comprometer também o abastecimento de água. O Código Civil atribui ao síndico o dever de diligenciar a conservação e a guarda das partes comuns (artigo 1.348) e torna obrigatório o seguro da edificação contra riscos de destruição total ou parcial (artigo 1.346). Na prática, isso exige vistoria de telhados, fachadas, marquises e árvores após o temporal, registro fotográfico dos danos e comunicação rápida à seguradora, além de orientar moradores a não subirem em coberturas durante ou logo após a ventania.

A prefeitura de Pelotas tem dez dias para concluir o levantamento dos danos e elaborar os laudos que podem embasar um novo decreto de situação de emergência. Para síndicos e administradoras, a repetição dos temporais reforça a necessidade de planos de contingência, com revisão de geradores, reservatórios, para-raios e contratos de manutenção preventiva antes da chegada de novos eventos extremos.

 

Fonte: G1

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Escrito por

Gabriele Fiel

Colunista do Portal SBM.

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