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Terremoto na Colômbia: resgate de cachorro em prédio expõe risco para condomínios.

person Gabriele Fiel
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Um cachorro ficou preso nos andares superiores de uma torre de apartamentos seriamente danificada em Dosquebradas, no departamento de Risaralda, na Colômbia, após o terremoto de magnitude 7,4 que atingiu o país na manhã de 10 de agosto. Com o epicentro registrado na região de San José del Palmar, em Chocó, o abalo comprometeu a estrutura de diversos edifícios da área e bloqueou o acesso às escadas do prédio com escombros, deixando o animal isolado e sem qualquer possibilidade de sair sozinho do local.

Moradores e voluntários que atuavam na região se mobilizaram para retirar o cachorro em segurança. Segundo relato publicado pelo jornal colombiano El País, o resgate foi conduzido por Jhon Freddy Valencia, morador da região que já vinha ajudando outras vítimas do sismo. Ele avançou pelos pontos mais comprometidos da edificação, avaliada como estruturalmente instável e sob risco de colapso, até alcançar o pavimento onde o animal permanecia. Abaixo, um grupo se organizou com um colchão e um grande lençol esticado para amparar o cachorro, alternativa encontrada diante da impossibilidade de retirá-lo pela rota convencional das escadas. Ao explicar o que o motivou a se arriscar durante a operação, Valencia resumiu: "isso é um valor que a gente tira de pai, de filho, de esposo".

O momento foi registrado em vídeo por moradores e rapidamente circulou nas redes sociais, tendo sido replicado por perfis colombianos como o Laboyanos.com e por veículos de imprensa locais. As imagens mostram a tensão da escalada até o animal e a comemoração das pessoas reunidas na parte inferior do prédio assim que o cachorro chegou ao chão em segurança.

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O resgate acontece em meio a um cenário de destruição generalizada no país. Três dias após o tremor, o balanço oficial contabilizava 273 mortos e mais de 3.800 feridos em diferentes cidades colombianas, além de mais de 12 mil residências destruídas. Em paralelo às buscas por sobreviventes, voluntários passaram a se dedicar também à localização de animais de estimação separados de seus donos durante o colapso de prédios em cidades como Cali, onde histórias semelhantes de reencontro entre moradores e seus pets se multiplicaram nos dias seguintes ao desastre.

Para o setor de gestão condominial, episódios como esse reforçam um ponto sensível e frequentemente negligenciado nos planos de emergência: o que fazer com animais de estimação e pessoas com mobilidade reduzida quando rotas de fuga padrão, como escadarias, ficam inutilizadas após um evento estrutural grave. O Brasil não está entre os países de maior risco sísmico, mas condomínios enfrentam rotineiramente outras emergências capazes de bloquear acessos, incêndios, desabamentos parciais, alagamentos e falhas estruturais em edificações antigas, cenários em que a ausência de um protocolo claro de evacuação pode custar vidas, humanas e animais.

A cena de Dosquebradas também evidencia o papel da mobilização comunitária como complemento ao trabalho de equipes oficiais de resgate, sobretudo em situações nas quais a estrutura do prédio impede uma atuação mais ampla dos bombeiros. Para síndicos e administradoras brasileiras, o episódio funciona como lembrete prático: planos de emergência bem elaborados devem prever a participação organizada de moradores, identificar previamente quem tem animais de estimação em cada unidade e manter equipamentos básicos, como cordas, lençóis resistentes e colchões, acessíveis em áreas comuns para situações extremas.

Passados os primeiros dias de comoção, a Colômbia segue concentrando esforços na avaliação estrutural de milhares de edifícios afetados pelo sismo, processo que deve se estender por semanas e que tende a repercutir também no debate brasileiro sobre a importância de inspeções prediais periódicas como instrumento de prevenção.

 

Fonte: El País

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Escrito por

Gabriele Fiel

Colunista do Portal SBM.

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