Geral

Usina do Gasômetro recebe 46 comportas contra cheias e completa a blindagem do Centro Histórico da Capital.

person Gabriele Fiel
calendar_today

A Prefeitura de Porto Alegre começou a instalar comportas metálicas herméticas no prédio da Usina do Gasômetro, um dos principais cartões-postais da capital gaúcha. O prefeito Sebastião Melo vistoriou as obras na manhã desta quinta-feira, 1º de outubro de 2026. A ideia é impedir que, em caso de cheia, as águas do Guaíba entrem na cidade pelas portas e janelas do edifício histórico. No sistema municipal de proteção contra enchentes, o prédio faz a ligação entre o Muro da Mauá e o trecho 1 da Orla do Guaíba.

Serão 46 comportas no primeiro andar da Usina, instaladas nos próximos 60 dias, com investimento de R$ 690 mil. A obra é executada pela Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura (Smoi) e também incluiu a concretagem da antiga câmara de resfriamento, que ligava o prédio diretamente ao Guaíba. Segundo a prefeitura, as estruturas não ficarão visíveis no dia a dia. Elas só serão montadas quando a cheia se aproximar da cota de inundação do prédio, o que acontece quando o nível do Cais Mauá chega a cerca de 4,5 metros.

"Uma estrutura histórica também nos impõe o desafio de construir uma proteção que preserve as características originais", afirmou Melo. Para o secretário de Obras, André Flores, as comportas protegem não só o edifício, mas a cidade inteira, porque fecham um ponto de fragilidade do sistema. A prefeitura apresenta a instalação como a última etapa do reforço das defesas do Centro Histórico. Nos últimos dois anos, a região já recebeu obras nas comportas do Muro da Mauá e em casas de bombas.

Publicidade

O contexto explica a urgência. Em maio de 2024, o Guaíba chegou a 5,35 metros no Cais Mauá, a maior cheia já registrada em Porto Alegre, acima da marca histórica de 1941. Na época, falhas em comportas e o desligamento de casas de bombas deixaram a água invadir o Centro e vários bairros. A tragédia mostrou o quanto era vulnerável um sistema projetado há mais de meio século.

Para o mercado condominial, a notícia tem peso direto. O Centro Histórico concentra muitos edifícios residenciais e comerciais, vários deles antigos e com garagens e áreas técnicas no subsolo, justamente os espaços mais atingidos em 2024. Elevadores, quadros elétricos, bombas de recalque e reservatórios inferiores foram danificados em série. Isso gerou rateios extras, chamadas de capital e disputas com seguradoras. Cada ponto fechado no sistema público reduz esse risco, mas cada condomínio continua responsável pela própria preparação.

Os condomínios têm medidas ao seu alcance. Entre elas estão barreiras removíveis nos acessos de garagem, válvulas de retenção na rede de esgoto e a transferência de equipamentos críticos para andares mais altos. Outra frente é o plano de contingência aprovado em assembleia, com regras de evacuação, desligamento de energia e comunicação com os moradores. Também vale revisar as apólices, porque a cobertura de alagamento costuma ser contratada à parte e não faz parte da cobertura básica do seguro obrigatório.

O diretor-presidente do Dmae, Vicente Perrone, afirmou que o departamento está preparado para atuar em cada ponto do sistema, incluindo o Gasômetro, em um trabalho permanente. A prefeitura prevê terminar a instalação em cerca de dois meses, enquanto prepara a reabertura da Usina ao público. Para síndicos e moradores da região central, o recado é claro: a infraestrutura pública avança, mas a segurança de cada edifício ainda depende de planejamento interno, manutenção preventiva e decisões tomadas antes que a água volte a subir.

 

Fonte: Jornal O Sul

Publicidade
Foto de Gabriele Fiel
Escrito por

Gabriele Fiel

Colunista do Portal SBM.

Ver Perfil arrow_forward

Comentários (0 comentários)

Deixe seu comentário

Artigos Relacionados