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Vigiado há semanas: casal é feito refém em condomínio de Ribeirão Preto.

person Gabriele Fiel
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Um casal foi feito refém por criminosos armados durante a madrugada desta terça-feira (25), quando três homens invadiram uma residência no condomínio Quinta da Boa Vista B, na Zona Sul de Ribeirão Preto, interior de São Paulo, nas proximidades do Anel Viário Sul. Após render os moradores, agredir um deles e mantê-los sob a mira de arma por cerca de uma hora e meia, os criminosos fugiram levando joias, roupas de diversas marcas e aparelhos celulares organizados dentro de uma mala de viagem do próprio casal.

De acordo com o boletim de ocorrência registrado pela Polícia Civil, os moradores dormiam quando foram surpreendidos por três homens armados dentro do quarto. Um deles tentou reagir e travou luta corporal com os invasores, mas foi dominado e atingido por uma coronhada na cabeça, sofrendo ferimentos. Na sequência, o casal teve mãos e pernas amarradas e passou a sofrer ameaças e xingamentos sob a mira de arma, em um cativeiro que durou cerca de noventa minutos dentro da própria casa.

Segundo o registro policial, dois dos suspeitos usavam capuzes e máscaras, enquanto o terceiro permaneceu sem qualquer disfarce, detalhe que chamou a atenção dos investigadores. Durante a ação, um dos criminosos se comunicava constantemente por rádio e celular, sugerindo articulação com outras pessoas fora do imóvel. Os invasores revistaram diversos cômodos em busca de bens de valor e chegaram a questionar o casal sobre a existência de um cofre. Em determinado momento, os próprios assaltantes afirmaram às vítimas que monitoravam a rotina da família havia semanas e que esperavam encontrar mais moradores na residência, reforçando a hipótese de um crime planejado, e não uma ação oportunista.

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Para transportar os itens roubados, os criminosos usaram uma mala de viagem que pertencia ao próprio casal. Ao todo, foram levadas cerca de vinte peças de joias, entre correntes, pingentes, pulseiras e brincos, além de roupas de grife e telefones celulares. Os assaltantes chegaram a tentar retirar um televisor da casa, mas desistiram e deixaram o aparelho para trás. Antes de deixar o imóvel, a dupla trancou o casal dentro do closet do quarto; as vítimas permaneceram presas por cerca de vinte minutos até conseguirem se soltar, dirigindo-se em seguida à portaria do condomínio para acionar a Polícia Militar.

Em depoimento, o casal relatou que os criminosos usaram uma escada nos fundos do imóvel para pular o muro e acessar a residência, driblando as barreiras físicas do condomínio sem passar pela portaria principal. Um dos celulares roubados foi rastreado pela polícia e localizado abandonado nas proximidades do condomínio, o que pode ajudar a compor o mapa da fuga. Até o fechamento desta edição, o caso seguia sob investigação da Polícia Civil, sem confirmação de prisões ou da recuperação dos bens levados.

O episódio expõe uma fragilidade que preocupa síndicos e administradoras: mesmo empreendimentos de alto padrão, equipados com portaria, controle de acesso, câmeras e equipe dedicada à vigilância, não estão imunes a ações criminosas quando os invasores optam por burlar o perímetro em vez de enfrentar a entrada principal. A escada usada nos fundos do condomínio, sem qualquer contato com a portaria, mostra como muros e cercamentos precisam ser parte central da estratégia de segurança, e não coadjuvantes das câmeras e da guarita.

A alegação dos criminosos de que monitoravam a rotina da família havia semanas também acende um alerta para o mercado condominial: a exposição de hábitos, horários e ausências dos moradores, inclusive em redes sociais, pode facilitar o trabalho de quadrilhas que selecionam alvos específicos dentro de condomínios fechados. Essa vigilância prévia reforça a importância de treinamentos periódicos para equipes de portaria e de integração entre síndicos, administradoras e empresas de segurança patrimonial.

As imagens dos sistemas de monitoramento tendem a ser decisivas para a investigação, ajudando a reconstituir o trajeto dos criminosos e eventuais veículos usados na fuga. Por isso, o setor recomenda manutenção preventiva constante do CFTV e políticas claras de armazenamento das gravações, já que falhas podem comprometer justamente os registros mais importantes no momento de uma ocorrência grave.

Para quem administra ou vive em condomínios, o caso de Ribeirão Preto reforça uma lição recorrente no setor: segurança patrimonial não se resume à presença de uma portaria, mas depende de um conjunto de fatores que inclui integridade dos muros, iluminação de áreas vulneráveis, treinamento de equipes para agir sem colocar moradores e funcionários em risco, e conscientização dos condôminos sobre os cuidados com a divulgação da própria rotina. Enquanto a Polícia Civil prossegue com as investigações a partir do celular localizado e dos depoimentos colhidos, o episódio deve servir de gatilho para que outros condomínios da região revisem seus protocolos de acesso e vigilância.

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Fonte: G1

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Escrito por

Gabriele Fiel

Colunista do Portal SBM.

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