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Vigilante flagra furto de 30 kg de fios em obra de condomínio em Limeira; suspeito pode pegar 16 anos.

person Gabriele Fiel
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Um homem de 40 anos foi preso em flagrante na madrugada do último domingo (6), por volta das 3h40, após ser flagrado furtando cerca de 30 quilos de fios elétricos em uma área de obras do Residencial Bartolomeu Grotta, na Rua Luiz Bucci, no bairro Jardim Bartolomeu Grotta, em Limeira, no interior de São Paulo. O caso foi registrado como furto no plantão da Delegacia Seccional de Limeira e reacende o debate sobre a vulnerabilidade de condomínios em fase de construção diante de uma onda de furtos de cabos que atinge cidades em todo o país.

Segundo apurado, um vigilante de 39 anos que monitorava as câmeras de segurança do empreendimento percebeu, pelas imagens, um homem pulando o muro e entrando no canteiro de obras. Ele se deslocou até o local para verificar a situação e flagrou o suspeito com o material furtado. Ao ser abordado, o homem tentou fugir, mas abandonou os cabos que carregava e foi contido antes de deixar a área. A Guarda Civil Municipal (GCM) de Limeira foi acionada e, durante a revista, encontrou com o suspeito aproximadamente 20 dos 30 quilos de fios subtraídos, além de uma ferramenta usada para o corte dos cabos. O prejuízo estimado com o material foi de R$ 7 mil.

Em depoimento, o suspeito afirmou que teria sido solicitado por um terceiro para retirar os fios próximos à cerca da obra. As imagens das câmeras de segurança do condomínio indicam que o mesmo indivíduo pode ser o responsável por outros dois furtos registrados no mesmo canteiro de obras ao longo da semana anterior ao flagrante. Até o fechamento desta edição, o suposto mandante não havia sido localizado, e o inquérito segue em aberto na Delegacia Seccional de Limeira para apurar a participação de terceiros no esquema.

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O episódio de Limeira não é um fato isolado. O furto de fios e cabos metálicos, sobretudo de cobre, cuja cotação segue em alta no mercado internacional, tornou-se um dos crimes patrimoniais de maior crescimento em obras, condomínios e áreas urbanas no Brasil. Levantamentos de administradoras e prefeituras mostram a dimensão do problema: somente na região central de Campo Grande (MS), foram registradas 859 ocorrências de furto no primeiro semestre de 2025, e a cidade já flagrou a apreensão de 1,5 tonelada de fio de cobre furtado, além de mais de 15 mil metros de cabos subtraídos em 2023, com prejuízo superior a R$ 200 mil aos cofres públicos. Empreendimentos em construção, como o de Limeira, costumam ser alvos preferenciais porque ainda não contam com moradores fixos, iluminação plena ou rondas noturnas consolidadas, o que reduz o risco percebido pelos autores do crime.

Do ponto de vista legal, o caso ocorre em um momento de endurecimento da legislação sobre o tema. A Lei nº 15.181, sancionada em 29 de julho de 2025 e publicada no Diário Oficial da União, transformou o furto e o roubo de fios, cabos e equipamentos de infraestrutura elétrica e de telecomunicações em crimes qualificados, com penas significativamente mais altas do que as previstas no Código Penal para furto simples. Pela nova redação, o furto qualificado de fios pode chegar a 8 anos de reclusão, o roubo qualificado varia de 6 a 12 anos, e a receptação qualificada do material furtado pode resultar em pena de 6 a 16 anos, além de multa em todos os casos. A pena é dobrada quando o furto provoca interrupção de serviço público essencial, configura sabotagem a equipamentos de telecomunicações ou ocorre em situação de calamidade pública, hipóteses que, embora não tenham se configurado no caso de Limeira, mostram a gravidade com que o Congresso passou a tratar esse tipo de crime.

Para síndicos, administradoras e incorporadoras, o episódio reforça a importância de estender os protocolos de segurança patrimonial também à fase de obras, período em que o condomínio ainda não possui portaria, controle de acesso ou quadro completo de funcionários. Entre as medidas recomendadas por especialistas em segurança condominial estão o monitoramento em tempo real no canteiro de obras, iluminação adequada nas áreas de estoque de material elétrico, vigilância noturna durante a construção e alinhamento prévio com a Guarda Civil Municipal e a Polícia Militar para rondas na região. A revisão das apólices de seguro da obra, cobrindo especificamente furto de material elétrico e hidráulico, também é apontada como medida preventiva diante da valorização do cobre e de outros metais usados em instalações elétricas.

O caso de Limeira também evidencia o papel da vigilância eletrônica na resposta rápida a esse tipo de crime: foi o monitoramento por câmeras, associado à ação do vigilante e à pronta resposta da Guarda Civil Municipal, que permitiu a prisão em flagrante e a recuperação de parte do material furtado. Para o setor condominial, o episódio funciona como um alerta para tratar a segurança de obras com o mesmo rigor dedicado aos condomínios já habitados, em um cenário de valorização dos metais e de crescimento das ocorrências de furto de fios no país.

 

Fonte: G1

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Escrito por

Gabriele Fiel

Colunista do Portal SBM.

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