Vizinho é suspeito de matar casal por causa de muro em condomínio na Ponte Alta, no DF.
Um casal foi encontrado morto a tiros na quinta-feira (16/7), dentro do lote de uma propriedade da família em um condomínio no Distrito Federal. As vítimas foram identificadas como Rayane Lins Farias Campos, de 38 anos, coordenadora do Cadastro Único (CadÚnico) na Prefeitura de Santo Antônio do Descoberto (GO), e seu marido, Leonardo de Oliveira Campos, de 42 anos, representante comercial. O principal suspeito do crime, um vizinho do casal identificado como Evandro Gabriel Ferreira, foi preso pela Polícia Civil do Distrito Federal. Segundo a TV Anhanguera, ele ainda não possui advogado constituído.
De acordo com a emissora, o casal foi encontrado com marcas de disparos no rosto e na nuca. Rayane e Leonardo estavam no local para realizar a limpeza do terreno, após o condomínio ter notificado a família em razão do mato alto no lote. A arma utilizada no crime foi apreendida pela Polícia Civil.
O caso ganha um contorno particularmente relevante para o setor condominial: segundo a TV Anhanguera, Rayane e Leonardo já haviam ingressado com uma ação judicial contra o condomínio, questionando uma suposta omissão da administração em relação ao conflito de longa data com o vizinho suspeito. Em um vídeo gravado antes do crime, a servidora chegou a registrar irregularidades na calçada do vizinho, que, segundo ela, dificultavam o nivelamento da rampa de acesso à própria residência.
A Prefeitura de Santo Antônio do Descoberto decretou luto oficial de três dias no âmbito do Poder Executivo Municipal, por meio do Decreto nº 3.584, de 17 de julho de 2026. Em nota, o município lamentou a perda e destacou o reconhecimento aos serviços prestados por Rayane à população, além de sua dedicação à gestão do Cadastro Único. Nas redes sociais, moradores de Santo Antônio do Descoberto prestaram homenagens ao casal e manifestaram solidariedade à família, que deixa uma filha de 7 anos.
O desfecho trágico expõe um problema recorrente na gestão condominial: conflitos de vizinhança que não são resolvidos a tempo pela administração podem evoluir para disputas judiciais e, em casos extremos como este, para violência. A existência de uma ação judicial prévia contra o condomínio por suposta omissão levanta questões sobre até que ponto síndicos e administradoras podem ser responsabilizados por não mediarem ou não encaminharem adequadamente conflitos entre condôminos.
Advogados especializados em direito condominial costumam apontar que a omissão da administração diante de conflitos recorrentes e formalmente comunicados pode, sim, gerar responsabilização civil do condomínio, especialmente quando há registro documental do desentendimento, como notificações, atas de assembleia ou, como neste caso, provas em vídeo produzidas pela própria parte prejudicada. Isso reforça a importância de protocolos claros de mediação, com prazos definidos para resposta e encaminhamento formal às autoridades competentes quando o conflito envolve ameaça ou risco à integridade física dos moradores.
O episódio também chama atenção para a necessidade de treinamento de síndicos e conselhos fiscais para identificar sinais de escalada em conflitos de vizinhança, especialmente aqueles que já geraram notificações formais, boletins de ocorrência ou ações judiciais, e que, portanto, já eram do conhecimento da administração antes do desfecho fatal.
Até o fechamento desta edição, a Polícia Civil do Distrito Federal não havia divulgado novos detalhes sobre o andamento do inquérito, e o suspeito preso ainda não possuía defesa constituída. Novos desdobramentos do caso, incluindo eventuais repercussões sobre a responsabilidade do condomínio, devem ser acompanhados pelo Portal SBM Forcondo.
Fonte: G1