Zelador é flagrado desviando R$ 15 mil de condomínio no litoral de SP.
Um condomínio residencial no bairro Marapé, em Santos, no litoral de São Paulo, tornou-se o centro de uma investigação policial após a descoberta de um esquema de desvio de materiais de manutenção avaliado em R$ 15 mil. O caso, revelado nesta semana, envolve o ex-zelador do Condomínio Residencial Way Orquidário, um homem de 36 anos identificado como Alexandre, apontado pela Polícia Civil como responsável por retirar tintas, texturas, rejuntes e outros insumos do estoque do edifício para revendê-los ilegalmente.
A investigação teve início depois que a nova administração do condomínio, a Acqua Pro Síndicos Profissionais, assumiu a gestão do prédio no início de fevereiro e passou a conduzir auditorias administrativas, financeiras e operacionais de rotina. Foi justamente esse processo de transição que expôs divergências no controle de estoque, insumos que constavam como adquiridos, mas que nunca chegaram a ser aplicados nas áreas comuns do edifício.
A partir daí, o caso ganhou contornos mais graves. Segundo nota divulgada pela Polícia Civil, o que parecia inicialmente um problema administrativo relacionado a controle de estoque se revelou, na verdade, uma movimentação ilícita estruturada, cuja apuração exigiu reconstruir todo o trajeto dos materiais, desde a retirada irregular até o destino final dado a eles. Policiais do 2º Distrito Policial de Santos rastrearam essa cadeia e chegaram a dois supostos receptadores dos produtos desviados, identificados como Marcos, de 47 anos, e Roberto, de 58. Com a conclusão do inquérito, Alexandre foi indiciado por furto qualificado, enquanto os outros dois responderão por receptação. Até o fechamento desta edição, a defesa dos três suspeitos não havia sido localizada pela imprensa.
Um elemento chamou atenção no desenrolar da apuração: a recuperação de mensagens apagadas dos aparelhos de celular e do notebook que pertenciam ao condomínio e eram utilizados pelo então zelador. Segundo a administração, o histórico das conversas foi restaurado por meio de backup, e o conteúdo recuperado indicou fortes indícios das irregularidades investigadas. Diante disso, a assessoria jurídica do condomínio foi acionada e todo o material foi encaminhado à Polícia Civil, que segue responsável pelas providências legais cabíveis.
O episódio de Santos ilustra um risco recorrente na gestão condominial brasileira: a vulnerabilidade do controle de estoque e insumos de manutenção em prédios que não contam com auditorias periódicas independentes. Materiais de reposição, como tintas, rejuntes e produtos de limpeza, costumam ser adquiridos com frequência e em pequenas quantidades, o que dificulta o rastreamento manual e cria brechas para desvios continuados sem que o valor total do prejuízo seja percebido de imediato pelos condôminos.
Trocas de administração, como a que ocorreu no Way Orquidário, tendem a ser justamente o momento em que esse tipo de irregularidade vem à tona, já que novas gestões costumam revisar contratos, fornecedores e processos herdados da gestão anterior. Para o mercado de síndicos profissionais, o caso reforça a importância de práticas como a conferência física periódica de estoque, a exigência de notas fiscais detalhadas para cada aquisição de material e a implementação de sistemas de controle patrimonial que gerem trilhas de auditoria automáticas, dificultando a manipulação de registros.
Do ponto de vista jurídico, o desfecho do inquérito também chama atenção para a responsabilidade civil e criminal de funcionários com acesso direto a bens e insumos do condomínio. A tipificação por furto qualificado, cometido por quem detinha função de confiança dentro do prédio, tende a agravar a pena em relação a um furto comum, o que reforça a necessidade de cláusulas contratuais claras sobre responsabilidade e prestação de contas para cargos como o de zelador.
Para síndicos e administradoras, o caso de Santos funciona como um alerta prático: a ausência de auditorias recorrentes, e não apenas a troca de gestão, é o verdadeiro ponto de vulnerabilidade. Condomínios que adotam rotinas de conferência de estoque, digitalização de notas fiscais e dupla checagem de compras tendem a identificar divergências em semanas, e não em meses ou anos, reduzindo o prejuízo financeiro e o desgaste institucional que casos como esse trazem para a imagem da gestão condominial.
Fontes: VTV NEWS